Um requerimento da vereadora Leandra Lopes (PT) e do presidente Alan Mansur (Cidadania) retomou o debate sobre a embarcação encalhada na Praia Campista, em Macaé. Aprovado na sessão desta terça-feira (16), na Câmara Municipal de Macaé, o documento solicita informações sobre a situação do rebocador AHTS Skandi Amazonas, bem como as providências adotadas para a sua retirada.
Conforme explicou Leandra, também é papel do Legislativo levar informação aos macaenses. “As pessoas não sabem o que está acontecendo. Somos indagados sobre os motivos da demora da retirada da embarcação da orla e o que estaria acontecendo durante esses mais de 30 dias desde o acidente. É preciso mais transparência em respeito à população”, declarou.
Ricardo Salgado (MDB) informou que houve um rompimento no casco, que invadiu a casa de máquinas do navio, e o tempo de conserto não pode ser determinado. “Mas a falta de transparência não é admissível. Sabemos que o risco de dano ambiental é real. Por esse motivo, os moradores querem ser tranquilizados e os procedimentos adotados precisam ser divulgados regularmente”.
O vereador Vicente da Foz (Solidariedade) reforçou a necessidade de dar mais transparência à situação. “Sabemos que a Petrobras e outras organizações estão monitorando a embarcação, mas todos os cidadãos precisam ser informados sobre as medidas que estão sendo tomadas”.
Câmara de Macaé em defesa dos royalties
A deliberação do Requerimento 33/2026 levou à retomada da discussão sobre a redistribuição dos royalties do petróleo, ainda em julgamento no Superior Tribunal Federal (STF). “A nossa região abriga oito dos dez municípios que mais recebem royalties no país, justamente por serem mais impactados pela exploração do petróleo e gás”, argumentou Leandra. Os critérios para o recebimento incluem local de extração do óleo bruto, sede de refinaria e oleoduto. Ou seja, onde se faz a extração, o processamento e grande parte do transporte dessa matéria-prima.
Esse recurso deve ser utilizado para melhorar a infraestrutura, saúde e educação local, entre outras finalidades. “Por isso é importante que as pessoas entendam: os royalties não são favor, tampouco privilégio. É compensação! Pois são as nossas vias que suportam fluxos de carretas enormes transportando risers – tubos gigantes para o transporte de fluidos e conexões de perfuração para águas profundas. É a nossa cidade que recebe pessoas de todos os cantos do país em busca de emprego. São os nossos hospitais que atendem os acidentados, tanto da indústria offshore quanto do trânsito e dos serviços gerados em torno dessa indústria”.
Luciano Diniz (Cidadania) corroborou com os argumentos de Leandra. “Estamos investindo esses recursos em áreas que não se desenvolveriam naturalmente. Quando Minas Gerais recebe royalties pela extração de minério, é porque lá estão os impactos sociais e ambientais da atividade”.