A retomada dos trabalhos legislativos do semestre aconteceu nesta terça-feira (4), na Câmara Municipal de Macaé, e foi marcada pela indignação dos parlamentares, diante do feminicídio ocorrido no último sábado (1º) na cidade. A vereadora Leandra Lopes (PT) fez um requerimento verbal para a realização de uma audiência pública, prevista ainda para este mês. O objetivo é discutir mecanismos mais eficientes de proteção às mulheres vítimas de violência.
A parlamentar lembrou ainda a campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, denominada Agosto Lilás. “Todos os dias, quatro mulheres são mortas no país e os números aumentaram nos últimos quatro anos. O feminicídio, que é a morte provocada pelo ódio contra a mulher, tem que acabar. Mas para isso todos precisam se engajar nessa luta, homens e mulheres”, frisou Leandra.
Amaro Luiz (PV) destacou o seu projeto de comercialização de sprays de defesa pessoal para mulheres e informou ter protocolado uma nova proposta de monitoramento do cumprimento de medidas protetivas. “Se usássemos a tecnologia para isso, Tuani ainda poderia estar viva”. O vereador explicou que, em caso de violação da distância mínima determinada, o alarme seria disparado e a vítima seria avisada para escapar do agressor, enquanto a polícia seria acionada.
Liomar Queiroz (Agir) reforçou a necessidade de iniciar esse trabalho ainda na educação das crianças. Ela também voltou a pedir a implementação de uma Delegacia Especializada De Atendimento à Mulher (Deam) na cidade. “Precisamos reunir esforços em torno da causa e dar toda assistência devida às mulheres”, disse.
Entenda o caso
O assassinato de Tuani Maia Nascimento, 33 anos, morta a facadas pelo ex-companheiro, causou grande comoção em Macaé e região. O crime de feminicídio aconteceu na manhã de sábado, 1º de agosto, quando ela dava início ao seu trabalho em uma loja no Alto dos Cajueiros. A vítima possuía medida protetiva contra o agressor, que, após atacar a ex-companheira, tentou se matar. Ele foi socorrido e levado para o HPM, onde foi internado sob a custódia da Polícia Militar.
A motivação do crime teria sido a não aceitação do término do relacionamento. Tuani já havia registrado denúncia de violência psicológica e ameaça contra o ex-companheiro. No entanto, tais ações não foram suficientes para deter o ato criminoso.