Foi marcante a fala da filha de Alba Corral (1933-2013), na cerimônia de concessão da medalha que leva o nome da empresária, ex-vereadora, ex-secretária de Assistência Social e destacada ativista ambiental, na noite desta terça-feira (31) no Salão Nobre da Câmara de Macaé. “Minha mãe era muito conectada com o que a definia, um amor profundo pela natureza e pelas pessoas”, disse Thaís Corral.
O reconhecimento foi concedido a 42 mulheres de destaque em diversas áreas no município. O presidente Alan Mansur (Cidadania) fez um breve discurso de abertura, referindo-se ao grande número de feminicídios. “No mês dedicado às mulheres, em que infelizmente soubemos de tanta violência contra elas, é uma honra para esta Casa homenageá-las”
As agraciadas contribuíram de forma relevante em políticas públicas, assistência social, destaque profissional (educação, saúde, empreendedorismo, etc.), projetos comunitários e de impacto social feminino. Além de Alan, a programação teve falas apenas das vereadoras. Leandra Lopes (PT) foi a primeira. “Dona Alba fez parte da minha construção como mulher ativa na sociedade, aliás, de todas nós, que estamos aqui, direta ou indiretamente”.
Liomar Queiroz (Agir) destacou o momento histórico da Câmara, com quatro vereadoras eleitas. “O Legislativo ganha com novos olhares, mais sensíveis, mais justos, mais conectados com a vida concreta da população”. Manu Rezende (MDB) dirigiu-se às homenageadas como pessoas que transformaram a cidade. “Que essa medalha não seja apenas um enfeite na parede, mas uma lembrança de que Macaé continua precisando de vocês”.
Afirmando o óbvio
Em seguida, Dra. Mayara Rezende (Republicanos) enfatizou, além do grande protagonismo feminino, a superioridade numérica. “Somos a maior parte da população. Por exemplo, entre os 17 mil servidores municipais, 11 mil são mulheres. No entanto, precisamos aqui afirmar o óbvio: nós temos que ser respeitadas!”.
Documentário sobre Dona Alba
Um ponto alto do evento foi a apresentação do documentário de Rômulo Campos, “Legados de Dona Alba”, no qual ela se emociona com episódios de sua história, Num deles, o pai tentou restringir seu ativismo, fazendo-a chorar muito. “Anos depois ele me disse que, daquela vez, ele quis me dar uma lição, mas que fui eu quem deu uma lição a ele”. Confira o filme – que contém ainda depoimentos de várias pessoas – e a íntegra da sessão.